Notícia: Lançamento da Rede EJA e Inclusão Produtiva mobiliza organizações para enfrentar desafio de quase 64 milhões de brasileiros sem educação básica

Lançamento da Rede EJA e Inclusão Produtiva mobiliza organizações para enfrentar desafio de quase 64 milhões de brasileiros sem educação básica

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Evento em Brasília (DF) também apresenta estudo inédito sobre a demanda por Educação de Jovens e Adultos (EJA) e as relações entre escolaridade, trabalho e desigualdades

Fotografia de uma sala de aula durante uma atividade em grupo. Oito estudantes estão sentados ao redor de uma mesa retangular, trabalhando em conjunto com cadernos, folhas de papel coloridas, canetas, lápis e outros materiais de escrita espalhados sobre a mesa. A maioria veste camisetas brancas e está concentrada em escrever, desenhar ou conversar sobre a atividade.
Estudantes da EJA da Escola da Fundação Roberto Marinho. Foto: Amanda Nunes.

Cerca de 64 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais não concluíram a educação básica. Desse total, a maioria, 44,7 milhões, não terminou o ensino fundamental e 19,3 milhões não concluíram o ensino médio, de acordo com a PNAD Contínua/IBGE 2025. O cenário atual revela não só a dimensão de um dos maiores desafios sociais do Brasil, como demonstra a urgência de ações efetivas que possam mudar essa realidade. Por isso, foi lançado hoje (7), em Brasília (DF), a Rede EJA e Inclusão Produtiva, que nasce para colocar o desafio da educação de jovens e adultos e a inclusão produtiva em evidência, produzir e disseminar conhecimento, mapear políticas que funcionam, articular diferentes atores (gestores públicos, sociedade civil, setor produtivo e organismos internacionais) e incidir no debate nacional e em políticas públicas, ao oferecer dados e referências que possam apoiar as tomadas de decisão. 

Formada por 16 instituições da sociedade civil e organismos multilaterais, a iniciativa surge em um momento estratégico para o país por conta da implementação do novo Plano Nacional de Educação (PNE) e pela renovação das agendas públicas de estados e da União no período de eleições. Ao longo da próxima década, a Rede pretende contribuir para que a EJA ocupe uma posição de destaque no segmento educacional, e vai apoiar a implementação das metas do novo PNE. 

A Rede reúne organizações comprometidas com a garantia de direitos básicos a pessoas em situação de vulnerabilidade social e reconhecida atuação nas áreas de educação, trabalho e inclusão produtiva e vai atuar de forma coletiva e integrada. Participam a Fundação Roberto Marinho, Ação Educativa, Ashoka, Conhecimento Social - Estratégia e Gestão, Conselho Nacional do Sesi, Fundação Arymax, Fundação Bradesco, Fundação Itaú - Itaú Educação e Trabalho, GIFE- Grupo de Instituições Fundações e Empresas, Instituto Rodrigo Mendes, Pacto Global, Redes da Maré, Todos Pela Educação, UNESCO, UNICEF e United Way Brasil – Juventudes Potentes.  

No evento também foi apresentado o estudo inédito ‘Demanda Potencial por EJA e Transição para o Trabalho’, que traz um diagnóstico nacional sobre a demanda potencial e atendida da Educação de Jovens e Adultos, além de dados sobre a relação entre escolaridade, inserção produtiva e desigualdade. O Brasil tem 64 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais fora da escola sem concluir a educação básica, o que representa 37,3% da população. O estudo evidencia ainda, entre outros aspectos, que a baixa escolaridade permanece associada à pobreza, à precariedade do trabalho e às desigualdades sociais e territoriais. Ao longo dos próximos meses, a publicação vai contemplar relatórios regionais que trazem as especificidades e realidades de cada estado brasileiro. 

Para entender o problema  

O descompasso entre a demanda potencial por Educação de Jovens e Adultos (EJA) e o atendimento oferecido pela modalidade constitui um dos principais pontos de atenção para o país. Milhões de brasileiros, entre jovens, adultos e idosos, ainda não tiveram garantido o direito à conclusão da educação básica e, apesar dessa demanda expressiva, as matrículas na EJA vêm diminuindo ao longo dos últimos anos, acompanhadas pela redução da oferta da modalidade. Diante dessa realidade, a Rede pretende priorizar o debate qualificado sobre políticas capazes de garantir novas oportunidades para jovens, adultos e idosos.  

O estudo ‘Demanda Potencial por EJA e Transição para o Trabalho’ é uma iniciativa da Rede EJA e Inclusão Produtiva, realizado pela Fundação Roberto Marinho, Fundação Bradesco, Fundação Itaú - Itaú Educação e Trabalho e  Fundação Arymax, com a cooperação da UNESCO. Conta, ainda, com a parceria técnica do Centro para Estudo da Riqueza e da Estratificação Social (CERES), do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP/UERJ) e do Laboratório de Monitoramento e Avaliação de Políticas e Eleições do IESP-UERJ (MAPE). 

A análise mostra que a distribuição desse grupo no território nacional é desigual. Ainda que boa parte dos estados tenha índices altos de incompletude, em muitas cidades das regiões Norte e Nordeste, mais da metade da população com 15 anos ou mais não concluiu a educação básica. 

Infográfico com um mapa do Brasil que mostra a proporção da população com 15 anos ou mais que está fora da escola e não concluiu a educação básica, por mesorregião, em 2025.  Na parte superior, o título informa: "População fora da escola e com ensino básico incompleto". Logo abaixo, o subtítulo explica: "Proporção da população com 15 anos ou mais, por mesorregião - Brasil (2025)".

Entre 2012 e 2025, a demanda potencial da EJA caiu 16%. Essa redução, no entanto, não decorre da ampliação do acesso à educação. O diagnóstico mostra que mais da metade dessa diminuição está associada à mortalidade das gerações mais velhas, que viveram períodos em que o país não conseguiu assegurar o direito à educação para toda a população. 

O estudo revela que a EJA alcança apenas 1,5% da demanda potencial no país. Em outras palavras, milhões de brasileiros que poderiam estar retomando os estudos seguem sem acesso à modalidade. 

Prejuízos individuais e coletivos 

Os dados também evidenciam os impactos concretos da baixa escolaridade no mundo do trabalho. Na prática, a diferença é significativa: entre as pessoas que não concluíram o ensino fundamental, apenas 43,1% participam do mercado de trabalho, percentual que sobe para 73,5% entre aquelas que concluíram o ensino médio. O mesmo acontece com a taxa de formalização do trabalho, que cresce conforme aumenta a escolarização. Entre os ocupados sem ensino fundamental completo, apenas 38,4% são empregados formais, contra 65% entre aqueles que terminaram o ensino médio. 

De acordo com o estudo, a falta de acesso à educação básica também tem um custo para a economia do país. Uma simulação realizada a partir dos dados da PNAD Contínua estima que, se parte da população sem educação básica conseguisse concluir os estudos, a economia brasileira poderia gerar R$ 66 bilhões a mais por ano em rendimentos do trabalho. O valor equivale a cerca de 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB) do país e reflete tanto o aumento da renda de quem já está empregado quanto a entrada qualificada de mais pessoas no mercado de trabalho. 

Acesse o estudo completo e saiba mais sobre a Rede EJA e Inclusão Produtiva: redeeja.org.br