Vencedores do Prêmio Jovem Cientista debatem socialização dos avanços científicos em painel na SBPC, em Niterói
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Edição atual da premiação está com inscrições abertas até 14 de agosto e recebe projetos de pesquisa sobre inteligência artificial

Os vencedores da 31ª edição do Prêmio Jovem Cientista marcaram presença na 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Niterói (RJ), nesta terça-feira (28). O grupo integrou uma roda de conversa ao lado dos seis premiados do 15º Prêmio de Fotografia – Ciência & Arte, em painel promovido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
O encontro reuniu vozes promissoras da pesquisa nacional: Elizângela dos Santos, 1º lugar na categoria Mestre e Doutor, hoje professora da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM); Manuelle Pereira, 1º lugar no Ensino Superior, com projeto desenvolvido no Instituto Federal do Amapá (IFAP); e Raul Victor Souza, 1º lugar no Ensino Médio, estudante da Escola Deputado Joaquim de Figueiredo Correia, no Ceará.
Além de compartilharem os impactos do reconhecimento em suas trajetórias e o rumo de suas pesquisas, os participantes debateram a urgência de democratizar a ciência por meio da divulgação científica. O evento também apresentou a nova edição do Prêmio Jovem Cientista, que recebe inscrições até 14 de agosto para projetos focados no uso da inteligência artificial em prol do bem comum.
A 32ª edição do Prêmio Jovem Cientista é uma iniciativa do CNPq, em parceria com a Fundação Roberto Marinho, com patrocínio master da Shell e apoio de mídia da Editora Globo e do Canal Futura.
"Os prêmios são o início de um diálogo e da curiosidade. Eles fazem a sociedade se perguntar quem é aquele pesquisador, o que ele faz e por que aquilo é fundamental para o desenvolvimento social", avalia a diretora científica do CNPq, Monica Felts, que mediou a roda de conversa.
“O CNPq reconhece a importância de premiações para valorizar a carreira científica no Brasil. Elas não destacam apenas trajetórias individuais, mas também institucionais. Afinal, a ciência é feita de forma coletiva, em rede. Esse reconhecimento fortalece carreiras e consolida a cultura científica no país”, completa.

Para Elizângela dos Santos, os trabalhos dos três vencedores têm em comum a busca por soluções para problemas reais, além de uma construção profundamente conectada às comunidades e territórios. A pesquisadora destaca que prioriza criar caminhos para tornar o conhecimento acessível, retornando os resultados diretamente à população.
“A SBPC é o momento de divulgarmos nossas pesquisas e de buscar novas formas de popularização científica. Para a sociedade, é a oportunidade de entender como a ciência funciona e de que maneira ela impacta o bem-estar coletivo. É um espaço para fortalecer a pesquisa no Brasil e conectar a academia com as pessoas”, pontua Elizângela.
Para Raul Victor Souza, o prêmio trouxe amadurecimento e mais confiança na caminhada acadêmica. “Esse reconhecimento foi decisivo para o meu desenvolvimento pessoal. Acredito que a ciência vai além do campo técnico: ela atua na formação do indivíduo, estimula o senso crítico, faz a pessoa observar os fatos com mais imparcialidade e entender o meio em que está inserida”, avalia o estudante.
O jovem, que segue aprimorando seu projeto, representará o Brasil no Stockholm Junior Water Prize, tradicional premiação sobre água e meio ambiente que ocorre na Suécia, em agosto. “Vamos mostrar que o Brasil está, sim, no mapa da ciência mundial e que nossos trabalhos merecem esse espaço”, afirma.
Vencedora na categoria Ensino Superior, Manuelle Pereira ressaltou a sintonia entre o tema da SBPC — Ciência para todos: soberania, desenvolvimento e inclusão — e seu projeto, que desenvolveu um kit móvel de energia solar para os castanheiros da Amazônia.
"Esse tema dá visibilidade e reafirma que todos os territórios, do Norte ao Sul, têm capacidade de produzir tecnologia. Estar aqui é um marco: além de ser a primeira amapaense a conquistar um prêmio dessa magnitude, este momento simboliza a luta diária e a sabedoria dos extrativistas da Amazônia”, destaca Manuelle.
"Uma das maiores riquezas da premiação é permitir que os jovens vivenciem grandes congressos, troquem experiências e integrem a comunidade científica. Deixamos o convite: acessem o site, leiam o edital e submetam seus projetos até 14 de agosto. O tema desta edição é 'Inteligência Artificial para o Bem Comum', focado em soluções de impacto social positivo", finaliza a líder de projetos da Fundação Roberto Marinho, Vanessa Ronchi, responsável pelo Prêmio Jovem Cientista.
O que é o Prêmio Jovem Cientista?
O Prêmio Jovem Cientista é uma iniciativa nacional que reconhece três trabalhos em cada categoria: Estudante do Ensino Médio, Estudante do Ensino Superior e Mestre e Doutor. Os nove selecionados recebem laptops, bolsas de pesquisa do CNPq e premiações em dinheiro que variam de R$ 5 mil a R$ 40 mil. A ação também contempla o mérito institucional, premiando uma universidade e uma escola de destaque.
Os projetos submetidos podem dialogar com qualquer área do conhecimento, desde que assumam o compromisso com o uso ético, responsável e socialmente referenciado da tecnologia.
Criado em 1981 pelo CNPq, o prêmio busca revelar talentos, impulsionar a soberania científica nacional e apoiar jovens pesquisadores na busca por saídas inovadoras para as demandas da sociedade. Ao longo de quatro décadas, a iniciativa já mobilizou mais de 24 mil projetos e reconheceu 212 jovens de todas as regiões do país. Os próximos vencedores serão anunciados até novembro de 2026.
